Voltar ao Ballet

13 Situações que toda bailarina aposentada passa quando volta a fazer aula

Carga horária carregada no escritório, marido e filhos, falta de tempo no geral que a vida adulta proporciona… seja qual foi o motivo que fez você se distanciar do ballet, era legítimo. Quantos meses passaram? Meses? Peraí… Já faz 10 anos que não faço ballet?! Nossa, como o tempo passa. Você então percebe que desde que você parou com o ballet, alguns (ou muitos) quilos se instalaram permanentemente entre sua coxa e abdome e academia simplesmente não rola.

Você tentou musculação, aula de spinning, jump, body pump, zumba, disco cycling (sim isso existe), pilates, yoga, corrida, subir escada do seu prédio, heels, acrobacia, natação, taekwondo, slackline, pular corda, escalada, vídeos daquela moça do The Biggest Loser do YouTube na sala de casa, mas nada feito.

Nada consegue prender sua atenção e trazer ânimo como o ballet fazia. Finalmente você toma vergonha na cara, compra uns 2 collants novos (porque é claro que nenhum dos seus collants antigos cabem mais), sapatilha meia ponta (saiba como escolher a sua clicando AQUI), meia preta (porque você é cool pra usar a meia rosa… e também porque as celulites apareceriam), grampos (nem acredita que os “Grampos Temoso” ainda vêm na mesma embalagem), fica feliz pela sainha ainda caber, apesar de ficar um pouco curta e decide: VOLTAR A FAZER AULA!

Claro que você não esperava no seu primeiro dia voltar exatamente aonde tinha parado… sim, no fundo você esperava sim. Daí, depois de algumas semanas, você nota que muitas coisas mudaram:

1- A altura da sua perna em sustentação definitivamente não é mais a mesma.

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Você está fazendo um developé em arabesque. Na sua cabeça, sua perna está no mínimo a 90 graus, altura que costumava ficar nos velhos tempos. Aí você comete o erro de se olhar no espelho e… ela não só está a 30 graus, como também está en dedans e tremendo que nem vara verde. Você se pergunta constantemente como sua perna consegue pesar tanto e pensa que deveria estar sarada de tanto arrastar esse peso por aí.

2- A diferença entre o lado direito e esquerdo aumenta ridiculamente.

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Tá certo que você nunca girou 32 fouettés para os dois lados. Tá bom… Vc nunca girou 16 fouettés nem para o seu melhor lado, mas até que dava pro gasto. Mas quando você volta às aulas depois de anos, algo acontece no seu cérebro que ele simplesmente esquece que você tem um lado esquerdo. Pra direita, uma sequência de soutenus, chaînés, piqués en dedans e en dehors até que sai bonitinho. Já pra esquerda, o eixo da Terra modifica bem na hora que você vai começar sua diagonal… Uma coincidência desastrosa…

3- Algo catastrófico acontece com a sua capacidade de decorar passos.

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Antes a professora não precisava nem levantar da cadeira para explicar o passo. Ela mostrava apenas uma vez, fazendo com as mãos enquanto ditava a sequência em voz alta e você já decorava imediatamente. Agora, o professor tem que mostrar o passo todo, direita e esquerda com música, relembrar depois sem música marcando e ficar ditando a sequência de en croix enquanto você está executando e, ainda assim, você erra. Seu maior pesadelo é a frase “agora tudo en dedans!”.

4- Sua agilidade em pequenos saltos não pode ser chamada de “agilidade”.

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Na sequência de glissades, jetés, coupés, brisés, entrechat quatres e assemblés você se sente aquela geleia do Ghost Busters tentando desenvolver os pés e coordená-los com os braços em mudanças de direção. Blorglamslurpbloim…

5- Você tem câimbras, muitas câimbras.

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Durante a aula, no meio da noite, na hora que você pisa no chão de manhã quando acorda e basicamente com qualquer movimento.

6- Você tem fome no meio da aula.

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Como você aguentava a aula toda antes sem precisar de um Cheddar McMelt entre a barra e o centro?

7- Você acha que consegue terminar aquela variação que você fazia 17 vezes seguidas.

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Essa é triste. A música de Gamzatti começa a tocar e você tem a sala toda pra você, plateia (as outras meninas estão colocando ponta e o prof está checando o CD) e você – que está de meia ponta porque ainda não está pronta pra por ponta (o rato roeu a roupa do rei de roma) – começa sua variação, brilhando como brilhava antes mas na hora mais apoteótica dos grand jetés em manège você está pedindo arrego, seca, se arrastando e sua perna descolou do soquete.

8- Sua cabeça e corpo não acompanham sua memória muscular/visual.

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Você vê o professor fazendo um thunderflash e sua mente te engana e você acha que seu corpo sabe o que fazer. Você então não marca o passo discretamente (que é o que você deveria fazer) pra guardar energias pra hora do passo mesmo. Então a música toca e você começa: tombé, pas de beurré, glissade e você, ao invés de fazer o thunderflash que vc jurava que sabia fazer, faz um troço que só pode se chamar de chutinho voador karatê desengonçado performado por uma minhoca manca e, o pior, com a perna errada. E é claro que o professor está te olhando bem nessa hora.

MAS, tudo tem seu lado bom:

9- A competição já não te afeta.

Sempre vai ter uma maldita novata alguém melhor que você e isso é normal agora. Você hoje enxerga beleza nos movimentos de todas as meninas sem exceção.

10- Inesperadamente você vira uma tripla pirueta!!

E claro que nessa hora o professor não vê…

11- Você conhece seu corpo melhor e se sente linda.

Você hoje tem personalidade pra incorporar os mais variados cacuetes que te tornam única no ballet.

12- Sua barriga sai da aula colada na sua coluna.

A sensação é essa mesmo se o espelho diz outra coisa.

13- Você sai feliz!

Ballet dancer Emma Lister jumping in the air.

E você? Qual a sua maior dificuldade ao voltar pro ballet após anos parada?

Se você também é bailarina aposentada e voltou agora a fazer aula, conte sua historia pra gente! Se você ainda não voltou, crie coragem, enfrente a barra e a meia calça e descreva sua experiência!

Beijos!

Amanda

3 Comment

  1. Que texto gostoso de ler!!!!!
    Ri muito e me vi em cada uma das situações da primeira vez que voltei….
    Como o Ballet faz falta… Mas além da coragem, falta arranjar tempo de novo. Em breve volto 😉

  2. Hauahauahua! Adorei o texto! É bem assim mesmo!
    Fiz ballet e outras danças desde quando me lembro como gente, mas logo na época de vestibulares da vida tive que parar com tudo… Só consegui voltar um ano após terminar a faculdade e lá se foram 8 anos. A volta realmente foi triste! Acho que a única coisa que não se modifica é o tal do prazer em dançar, pq o resto… Hauahauahuahaua
    Hoje já está fazendo uns dois anos e pouco que voltei e lógico que não voltei nem perto do que eu era, mas meu foco é completamente outro, não quero mais ser primeira bailarina de nada, só quero dançar e ser feliz. 🙂

    Parabéns pelo site! Encontrei por acaso e já estou recomendando!

  3. Adorei o texto.
    Voltei para o ballet 15 anos depois da ultima aula. Estou me sentindo exatamente assim. Kkkk não consigo fazer nenhuma pirueta se quer. Mas estou extremamente feliz. Um passo de cada vez.

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