BALLET NO CARNAVAL 2016

Perola Negra nos passos do Balé

Olá, pessoal! Vamos falar sobre o Ballet no Carnaval 2016? Quem acompanha nossa página no facebook e nosso instagram, já percebeu que estamos falando muito disso, né? Mas vamos explicar melhor essa ligação… Afinal de contas esse é um Blog de Ballet, e a referência do carnaval é samba, certo? Mais ou menos, a Pérola Negra está trazendo uma mistura deliciosa!

A Escola de Samba Pérola Negra traz pro Carnaval 2016 a história da Vila Madalena através da dança. Desde os tempos dos índios que cantavam e dançavam com a natureza, passando pelos negros e escravos, a devoção dos angolanos, etc. Mostrando a referência da capoeira, maracatu, frevo, balé, samba e tudo mais!

Uma linda iniciativa, um samba enredo emocionante e uma quebra de tabú. Uma grande unificação para o mundo da Dança. Várias modalidades, metodologias, técnicas e biotipos, dançando no mesmo ritmo. Emocionante!

Teremos grandes nomes no Ballet nacional participando desse grande momento:

Isabella Rodrigues, considerada hoje uma das melhores bailarinas do Brasil, campeã de Joinville, que será nossa destaque de chão Abre Alas, e nós vamos vir com ela, Ala das Bailarinas (Azul).

Grupo Raça Cia de Dança, com as meninas que sairão no Carro abre Alas, também com a participação das bailarinas Giovana Puoli e Raissa Rossi, do Vem com as Bailarinas.

Cisne Negro Cia de Dança, que virá no carro Afro.

E, ainda tem a Luciana Martins com suas bailarinas e companheiras do Ballet depois dos 30 e muitas outras! (Lu que é nossa organizadora, coordenadora, planilhadora… e tudo mais), e o apoio da Capezio do Brasil! 

E claro, a Bruna Paoli, bailarina, sambista, professora de ballet, xtend barre, danças brasileiras e… nossa, ela não pára! E vem com a Ala das Bailarinas – Vermelho – na bateria!

E muitas outras bailarinas, professoras, e amadoras, como eu, mas não menos amantes do Ballet! hahah

Mais uma novidade é que eu, Laura, fui convidada pela Rainha do Ballet no Carnaval, Bruna Paoli, para desfilar com a Escola na Ala das Bailarinas. Uma honra e uma experiencia indescritível… entre chassés, pliés e valsas, sambamos também! A Bruna é uma guerreira, pioneira no que faz, e vai com toda classe do balé clássico e da sapatilha de ponta em plena avenida… Mas vamos deixar pra falar SÓ DELA no próximo post, ok?!

Agora, segue pra vocês irem decorando o Samba Enredo:

É na ginga a dança… que eu vou

Solta o corpo e balança… amor

Vem ver como é que é sambar na ponta do pé

Pérola Negra vem nos passos do balé

 

É Carnaval, a minha Vila contagia

A joia rara te convida pra dançar

O som da mata ecoou em sinfonia

A revoada cortando o ar

Nas águas, o bailar da sutileza

Celebrando a natureza

O índio cantou e dançou a noite inteira

Da fé rituais em louvor, ôô

Com cheiro de mato, o som da viola embalou

 

Negro firma o batuque na palma da mão

Vem no toque da Angola, levanta a poeira do chão

Fazendo festa pro seu rei coroar

“Semba ioiô, samba iaia”

 

Eh sanfoneiro puxa o fole bem ligeiro

Pra folia começar

Bate zabumba e pandeiro

Tem quadrilha no arraiá

Nas ruas o povo espalha alegria

A boemia encontra o seu “santo lar”

De portas abertas a cultura

Ritmando a mistura da arte popular

 

Olé, olé… Olé, olá, faz mais um eu quero ver a galera delirar

E nesse embalo lá vou eu

Na Vila Madalena samba até quem já morreu

 

Agora segue um pouco mais da história da escola e da criação do Enredo, e algumas fotos do ensaio técnico que fizemos sexta-feira, dia 22 de janeiro.

SOBRE A ESCOLA

Do sonho e da união de sambistas do G.R. Escola de Samba Acadêmicos de Vila Madalena e Bloco Boca das Bruxas surge em 07 de Agosto de 1973 a Escola de Samba “Pérola Negra” adotando as cores vermelho, preto, azul e branco como oficiais. O nome surgiu da visão de seus fundadores por ser a Pérola Negra uma joia rara, usando a alusão de “A Joia Rara do Samba”. Outra versão é que seu nome é sugestão de seu fundador, que observava uma garrafa da cerveja Pérola Negra.

Sua estreia no Carnaval paulistano ocorreu no ano de 1974, levando para a avenida São João o tema enredo “Piolim, Alegria Circo História”, resultado: Pérola Negra campeã do Grupo III. Com esse resultado surpreendente, pessoas ainda indecisas resolveram aderir ao projeto e no Carnaval de 1975, quando contagiaram a avenida com o enredo “A São Paulo de Adoniran”, o resultado não poderia ser outro e a escola de samba foi campeã do Grupo II. Em 1976 com o enredo “Portinari, Pintor do Povo”, passou a fazer parte da elite do Carnaval paulistano, tornando-se a “coqueluche” do momento.

Desde então, o Pérola Negra teve diversos momentos inesquecíveis de glórias, alguns muito felizes e outros nem tanto, mas sem perder a paixão pelo samba que é a alegria da escola, como diz o hino da agremiação, composto pelo poeta Pasquale Nigro, compositor e um dos idealizadores do Pérola Negra – morador da tão singular comunidade da Vila Madalena e ainda ativo nos assuntos da escola.

O Pérola Negra tem sua origem na Vila Madalena, o bairro mais boêmio da capital paulista e com uma história cultural fantástica. Atualmente a escola agrega diversos públicos de diferentes regiões da cidade, principalmente da zona Oeste e alguns municípios da Grande São Paulo.

A escola esteve pela primeira vez no Grupo Especial em 1976, quando ficou ininterruptamente até 1981. As outras participações se deram em 83, 90, 96, 01 e em 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2014. Em 2015 o Pérola Negra foi vice-campeão do Grupo de Acesso, retornando a elite paulistana das Escola de Samba em 2016.

SOBRE O ENREDO DE 2016

O território onde hoje se situa o bairro de Vila Madalena fazia parte de uma imensa floresta, cenário grandioso onde era encenado um apoteótico bailado. Os sons da Mata Atlântica criavam uma sinfonia selvagem, de ritmo bárbaro e grandioso, enquanto bandos de araras num sincronizado vôo exibiam sua coreografia aérea. Na sinuosa dança das águas dos igarapés, cardumes de peixes encenavam seu balé aquático. No chão, animais dançavam para seduzir suas fêmeas, e serpentes em suave dueto deslizavam entre arbustos. Embaladas pelo vento as árvores iam e vinham num ritmado “balancê”. 

Os índios, como parte integrante dessa imensa floresta, cantavam e dançavam por qualquer motivo, inspirados por esse balé da natureza. Presos aos tornozelos dos hábeis bailadores, chocalhos feitos de seixos, sementes e dentes, marcavam o compasso da dança. Canindé, Canindé, cantavam e dançavam pedindo vitória na guerra. Os jesuítas, em seu processo de catequese, para atrair os silvícolas introduziram as danças nativas nos rituais da nova religião. Criaram versos em tupi para os cateretês que os índios dançavam em frente às ocas. Adultos vestidos de penas e listrados de urucu, acrescentavam o crucifixo a seus adornos, e compunham as orquestras onde a guararapeva acompanhava o canto e a dança dos novos rituais. 

Nessa “zona rural” de São Paulo de Piratininga, passavam tropeiros com seu imponente bailado equestre, e os “cortadores de mato” dançavam a catira e o fandango. 

Os negros, que se refugiaram nessa “vila dos farrapos”, ao fugir da escravidão, encontraram na música e na dança o consolo à crueldade dos castigos que tentavam esquecer. A grande variedade de instrumentos de percussão facilitava a execução de notável polirritmia, com um extenso quadro de danças dramáticas fetichistas, os batucajés, ou as alegres danças profanas, os desenfreados batuques. Aqueles devotos de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário praticaram aqui os rituais de coroação do Rei do Congo, trazidos de Angola. Um belo cisne negro em seu vôo migratório, fascinado pela dança dos homens de sua cor resolve ficar por aqui.

Quando essa Vila Madalena não passava de um amontoado de casas e pequenas chácaras, seus moradores iam de casa em casa encenando a Folia de Reis, e dançavam a quadrilha em volta de fogueiras. 

Mas o espírito festivo que conhecemos na Vila Madalena de hoje, chegou com os estudantes da USP, “dançarinos saltimbancos” que encheram o bairro de alegria e irreverência. Chegaram os hippies e seus cabelões , e o som do roqueiro Piriri “balançou” os bares e as ruas da “Vila Woodstock”. Entre girassois, purpurina, harmonia e simpatia, a irreverência dançou no “Santa Casa”. A Feira da Vila abriu as portas para a entrada de “bailarinos giramundo”, brincantes que chegaram com a capoeira, o frevo, o reisado, o maracatu, o boi-bumbá e a gafieira.

Dançarinos foliões vindos do mundo inteiro escolheram a vila como cenário para a encenação da gigantesca “ôla” que deixou saudades depois da Copa do Mundo.

Pelas ruas que dançam num sobe-e-desce, os blocos carnavalescos arrastam multidões: SACUDAVILA, Os Madalena………

Pois é mesmo o samba, PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL, que traduz a alma dançante da Vila Madalena. Ao som da bateria da Pérola Negra, até os mais silenciosos vizinhos, os moradores do Cemitério São Paulo, vão “balançar o esqueleto”. 

Fábio Borges Carnavalesco

Mais informações no site da escola http://www.gresperolanegra.com.br/

IMPORTANTE:

Seremos a PRIMEIRA ESCOLA a pisar na avenida, abrindo com tudo o Carnaval 2016!

Dia 05 de fevereiro

Seguem algumas fotos do nosso ensaio técnico pra vocês irem se contaminando com essa energia maravilhosa!

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Agradecimento mega especial à Capezio do Brasil, em especial à Mariana, ao Ballet depois dos 30 e toda a organização da Lu Martins e ao pessoal da Perola Negra e à Bruna Paoli. Vocês são os grandes realizadores! Beijo no coração de todos!

E aí, gostaram? Já estão sentindo o gostinho do carnaval?

Curtam e compartilhem!

Bjs!

Laura

1 Comment

  1. Adorei a materia Laura. Sera um prazer dividir este momento emocionante com voce na avenida!

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