Aprenda a girar

Learn to turn – Aprenda a girar

Eu estava programando outro post para essa semana, mas não resisti! Como é maravilhoso ler teorias sobre o que praticamos tanto, né? Não sei vocês, mas eu sou dessas aficionadas por teorias e depois quero ficar praticando incessantemente, pensando em cada detalhe que preciso melhorar tecnicamente… (o que me faz pensar muito, visto que tenho muito pra melhorar, obviamente haha)

Dessa vez quem fez a tradução foi a Fabi Cusin, nossa parceira aqui do blog, nossa nutricionista, bailarina, e ainda por cima ela é tradutora mesmo! Quem quiser deixa um comentário que mandamos o contato! 🙂

O Post de hoje é mais direcionado aos alunos intermediários, mas não impede de ser útil também aos iniciantes, quem já está começando as piruetas, ou até mesmo os avançados, interessados, curiosos, etc. É muito esclarecedor!

A matéria original é da Dance Spirt Magazine, quem tiver interesse basta clicar aqui.

Vamos lá?

Aprenda a Girar

Giros consistentes são um must para aspirantes a bailarinas profissionais, mas quase todo mundo luta com as piruetas em algum momento. Felizmente, uma vez que estamos todos sujeitas às mesmas regras da física, existem medidas concretas que todos as bailarinas podem tomar para chegar ao seu mais alto potencial de giro. “Three is the new two quando falamos de piruetas, mas o segredo para girar é técnica, e não mágica“, diz Bojan Spassoff, presidente e diretor da The Rock School for Dance Education da Filadélfia.

Caindo na dupla pirueta? Sonhando em acompanhar cada giro da melhor pirueteira da sua sala? Não importa onde você esteja no espectro dos giros, o nosso guia 360-graus para piruetas vai ajudá-la a melhorar.

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Lucy Pink, aluna da Ballet Academy East, em preparação para uma pirueta en dedans (foto de Rosalie O’Connor, cortesia da Ballet Academy East)

Gire com Solidez

A estabilidade do passé é a alma de toda boa pirueta. “Eu nem sempre fui boa em girar”, diz Sophia Lucia que, aos doze anos, está no Guiness pelo record de piruetas consecutivas (55). Ela aprendeu a seguir o RAFT – Retângulo, Arco do pé, Foco, contração (‘Tightness’, em inglês) – antes de cada giro. Os ombros e quadris devem estar nivelados, de forma que o tronco forme um retângulo. O arco do pé deve estar sobre o segundo dedo do pé de apoio. Os olhos precisam estar focados num ponto fixo. “E não pode ter nenhum músculo no corpo sem contração”, emenda Sophia. “Eu não fico tensionada, só compactada, mantendo a posição firme enquanto eu giro”.

Faça um passé e fique no balance. Você está no relevé mais alto possível? “Você tem que sentir um estiramento no topo do pé, como se alguém estivesse empurrando para cima o seu calcanhar”, diz Stephanie Wolf Spassoff, co-diretora da The Rock School. Os quadris precisam estar retos e nivelados; os músculos abdominais sustentam o passé; e as costas e ombros sustentam os braços. Certifique-se de que o seu passé esteja o mais alto possível. “Estando na posição certa, você se sente mais alta do que nunca”, diz Darla Hoover, diretora artística da Divisão Pré-Profissional da Ballet Academy East, em Nova York. Se estiver tudo no lugar, você fica no balance com facilidade.

O impulso certo

É a sua preparação que vai definir um passé em movimento perfeito – e a chave é um plié profundo, que dá a força que você precisa para ficar em cima da perna, de acordo com Denise Wall, diretora artística da Energy Dance em Virginia Beach . “Principalmente em coreografias de ritmo acelerado, vejo bailarinas fazendo plié sem contato de verdade com o chão”, diz ela. Sinta o seu peso no plié e empurre o chão com a mesma força nos dois pés no momento do giro. “Aí encontre o jeito mais rápido e mais direto de passar da preparação para o passé, e não deixe a posição se desmontar”, diz Wolf Spassoff. “As bailarinas têm a tendência de colocar muita força e partir para quantas piruetas forem possíveis, mas elas literalmente se jogam para fora do equilíbrio. Você tem que ter controle e coordenação, como se você se comprimisse para aquela posição”.

Um ponto fixo também ajuda a girar, mas não perca o controle da cabeça. “A cabeça é a parte mais pesada do corpo senão, o peso da cabeça vai tirá-la do equilíbrio e fazê-la cair da pirueta. Os os seus olhos têm que se fixar em alguma coisa logo no momento de começar o giro”, acrescenta Hoover. “Se você tiver dificuldades em fixar o olhar, pratique fazendo chainés, que são mais simples e rítmicos por natureza, e coloque como meta a fixação do olhar“.

E não esqueça os braços. “Ninguém quer estar em um avião que bate asas”, diz Hoover. Envolva os grandes dorsais, os maiores músculos das costas. Se você não conseguir entender a sensação, comece a fazer piruetas com as mãos nos quadris, sem mexer os ombros. Mas não deixe que a parte superior do corpo ficar tensionada. “Os braços não precisam ficar estáticos”, Wofl Spassoff explica. “Você deve senti-los firmes e flutuantes – como se estivessem boiando na água”.

Solução (num Video)

Os fundamentos de uma boa pirueta podem ser os mesmo para todo mundo, mas cada corpo é um corpo, então algumas correções para uma bailarina não necessariamente se aplicam às outras. “Eu adoraria poder dizer ‘Tome a pílula da pirueta’, como se a solução fosse a mesma para todo mundo”, diz Spassoff. “Mas o seu corpo é único e você precisa descobrir como usá-lo da melhor forma para os seus giros”. Peça para uma amiga gravar um vídeo seu fazendo uma série de preparações e giros para ambos os lados, em seguida analise o que você vê. Caindo para os lados? Você pode estar levantando um lado do quadril ao levantar o pé para o passé. Caindo para trás? Você pode estar levantando os ombros ou jogando os braços para trás. Volte o vídeo várias vezes para tentar entender os pontos-chave que a levarão ao giro perfeito.

Quando tiver dúvidas, volte ao passé e não se sinta desestimulada. “Um giro é algo vivo que está em lapidação”, diz Wolf Spassoff. Todo mundo tem momentos de frustração. “Um dia antes da apresentação, eu passei meu solo dez vezes e os giros não aconteciam”, relembra Sophia. “Eu surtei. Mas minha mãe me ajudou a recuperar a confiança, me lembrando o quanto eu tinha praticado”. Nos dias que suas piruetas não estiverem acontecendo, lembre-se de que você já tem as ferramentas necessárias para consertá-las: ciência, força e consciência.

Existe essa coisa de pirueteira “nata”?

Basicamente sim. “Existem pessoas com facilidade para giro”, diz Darla Hoover, diretora artística da Divisão Pré-Profissional da Ballet Academy East. “Algumas pessoas têm mais equilíbrio. Descobri que muitas das minhas alunas que tinham facilidade em girar também começaram a andar cedo”. Bojan Spassoff, presidente e diretor do The Rock School for Dance Education, concorda. “Corpos mais compactos tem um centro de gravidade mais baixo, o que facilita o equilíbrio, bailarinos mais altos podem ter mais dificuldade para girar”, diz ele. Mas isso não é um motivo para desistir. “Os pontos-chave de uma boa pirueta podem ser ensinados a todos”, diz Hoover.

Girar x Rodopiar

Todo mundo quer fazer o máximo de piruetas possível, mas não caia na armadilha de rodopiar. “Rodopiar nada mais é do que a rotação do pé”, explica Denise Wall, diretora artística do Denise Wall’s Dance Energy. Está mais para a patinação artística do que para a dança. “Vejo jovens fazendo dez piruetas em um relevé de 3 cm, isso não conta como giro”, diz Wall. “Para girar, é necessário você estar  em cima da perna, no seu relevé mais alto, tendo um ponto fixo e controle”.

Vamos a um videozinho básico? Adoro os vídeos desse canal, são simples e bem explicativos.

Lá vai:

 

 

E aí, gostaram? Depois me contem se alguma coisa fez a pirueta de vocês melhorar!

Curtam e compartilhem,

 

Bjos!

Laura

 

1 Comment

  1. Poça que massa seu blog, não desiste dele não ;P Ainda sou iniciante e não adentramos ainda nas piruetas, mas também gosto muito da parte técnica da dança. Muito obrigado pela dedicação 😊

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