Desconstruindo esteriótipos: como bailarinos realmente comem

As Olimpíadas podem ter acabado, mas as conversas sobre a dieta dos atletas não morreu.

Todo mundo adora trocar informações estatísticas sobre quantas calorias ou carboidratos são ingeridos diariamente por atletas como Michael Phelps, Usain Bolt ou Simone Biles.

Enquanto isso, os meios de comunicação expõem a importância dessa imensa queima calórica como forma de explicar seus corpos fortes e definidos (e fazer o resto de nós se sentir um pouco melhor).

Mas por alguma razão, quando a conversa gira em torno do ballet, uma atividade tão psicologicamente e emocionalmente exigente (apesar de decididamente “não ser” considerado um esporte), a impressão geral é de uma boneca-fada delicada que sobrevive à base de aipo e queijo cottage, no máximo.

Isso não poderia estar mais longe da verdade!

“Todo mundo tem um corpo diferente e uma dieta diferente que funciona para cada um”

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Ballet sempre foi algum tipo de arte misteriosa, alguma coisa que as crianças (por alguma razão a maioria meninas) fazem porque precisam de uma atividade após a escola, mas eventualmente crescem fora do mundo real, em noites elitizadas ou sujeitas à inúmeros filmes, programas de TV, de forma obscura, em um meio extremamente competitivo, masoquista e que leva às pessoas à anorexia, drogas ou insanidade.

Toda essa impressão torna difícil manter uma imagem saudável e como arte viva na esfera pública.

No entanto, sem entrar no mérito da discussão entre os paralelos do “esportes de competição” e esta “forma arte clássica”, é fato que as exigências físicas são semelhantes – e a dieta tem um papel importantíssimo nisso.

 A grande diferença é que os bailarinos são muito mais preocupados com a estética corporal do que os atletas:

Em certo momento, a dieta seguida por bailarinos e atletas é semelhante, na medida em que temos uma alimentação equilibrada e comemos um pouco de tudo, mas porque o ballet é uma arte de alto nível, precisamos ter uma certa estética e boa aparência no palco. Isso significa que alguns de nós podem comer menos carboidratos e gorduras para manter o esteriótipo“, explica Sasha Mukhamedov, solista no Het Nationale Ballet, em Amsterdam.

O mais importante a lembrar é que cada um de nós é ÚNICO – temos diferentes biótipos, metabolismos ou formas (desenhos mesmo) corporais que influenciam em nossas escolhas individuais.

O grandes bailarinos de sucesso entendem bem isso. Julian Mackay, solista no Mikhailovsky Ballet, em St. Petersburg, é rapido em afirmar: “Todo mundo  tem um corpo diferente e uma dieta diferente que funciona para cada um“.

Por exemplo, bailarinos e bailarinas precisam comer de forma diferente: “Geralmente, eu acho que os bailarinos homens comem mais”, diz Sasha, “porque eles são realmente mais atléticos/fortes que as bailarinas mulheres. Quer dizer, eles tem que nos levantar nos braços!”

Julian concorda, especificando que “definitivamente os bailarinos homens consomem mais carboidratos e proteínas para desenvolver mais músculos.” Mas ele também acredita que depende do papel que você está desempenhando, alguns momentos necessitam de mais força, outros elasticidade, leveza ou resistência para aguentar as três horas de um ballet completo.

E, é claro, o conhecimento e as necessidades mudam a cada dia.  Maureen Laird é uma professora de ballet da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e disse que “geralmente os estudantes escolhem uma dieta pobre em nutrientes e rica em calorias e gorduras. Apesar de magros, eles são muitas vezes lentos, falta velocidade e força de ataque e se cansam facilmente.”

Quando era bailarina profissional (foi solista tanto no Ballet West, em Salt Lake City e também no Pittsburgh Ballet), ela lembra que informação nutricional não era algo disponível para leitura como hoje: “há muito mais ciência na dança hoje em dia, e esse é o motivo pelo qual os bailarinos continuam avançando e evoluindo”.

“É um caminho difícil de escolher – competição, pressão e desgaste físico ocorrem diariamente – mas é importante que os bailarinos se mantenham firmes e cuidando dos corpos em primeiro lugar”.

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Pode haver mais recursos, mas tudo é uma questão de tentativa e erro. “Como bailarino, você cresce aprendendo mais a cada dia sobre como deve e precisa comer, o que se encaixa melhor ao seu corpo particularmente.” Diz Matisse Love, estudante no Bolshoi Ballet Academy, em Moscow.

Agora que Maureen não dança mais, sua dieta – e a forma como o corpo reage à comida – mudou. Estava acostumada ao exercício físico intenso, mas isso também mudou, simplesmente devido à passagem do tempo. “Porque meu metabolismo gradualmente tem diminuído com o passar dos anos”, explica ela, “minhas porções são menores do que costumavam ser, principalmente e particularmente nos dias em que eu não faço atividades aeróbicas”.

No final do dia, é tudo sobre o palco. E isso depende totalmente do bailarino – quando perguntamos suas refeições preferidas para pré-show ou pós-show, varia gradativamente. Maureen lembra que sempre optava por algo light antes de se apresentar, como frango ou meia batata assada. Pós-show era geralmente tarde da noite, então era sempre um lanchinho, dividia um aperitivo ou aproveitava uma pipoca.

Julian gosta de hambúrguer ou massa antes do show, e opta por comida georgiana após a apresentação, que é um pouco mais pesado e com porções satisfatórias de carne.

Matisse se prepara para uma apresentação com um grande café da manhã e lanchinhos constantes ao longo do dia. Após as apresentações, ela geralmente sai e come o que quiser, geralmente carnes e sorvete.

Para Sasha, carnes e vegetais são a melhor escolha, particularmente se o show for mais exaustivo ela incluirá algumas massas. Pós show ela tenta se manter com uma taça de vinho.

É um caminho difícil de escolher – competição, pressão e desgaste físico ocorrem diariamente – mas é importante que os bailarinos se mantenham firmes e cuidando dos corpos em primeiro lugar. A comida é o combustível que dá orça ao nosso corpo, diz Matisse. “Estamos por um fio para desejar açúcares, gorduras e sais, mas é vital entender o que beneficia nosso corpo e o que nos prejudica.” Quer esteja dançando ou ensinando, dieta é um denominador comum na manutenção da saúde e energia.

Então, se você mantinha esse esteriótipo de que bailarinos não comem, pode esquecer.

É uma carreira exigente e rigorosa, mas como diz Matisse: “lembrando-me todos os dias do quanto eu amo essa forma de arte e de como eu nunca poderia viver sem ela, me mantenho firme com todos os altos e baixos provenientes do ballet.”

Quando você está realmente apaixonado por alguma coisa, você fará tudo o que for preciso para se destacar de forma excelente nela. E isso inclui uma dieta saudável e nutritiva também!

Fonte: Dirt Online.

 

 

 

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