Misty Copeland e Edgar Degas

Misty Copeland coloca uma pitada de século xxi em algumas das pinturas de Ballet mais famosas da história.

Foi no verão passado que ela se tornou a primeira mulher negra a ser dançarina principal do American Ballet Theatre. Foi um momento de empoderamento e orgulho para as pessoas de toda parte (e já não era sem tempo!).

Agora, ela está recriando história para as câmeras.

Ela ajudou a recriar, na edição de março de 2016 da Harper’s Bazaar, algumas das mais icônicas pinturas e esculturas de ballet do famoso artista Edgar Degas.

O trabalho vem sendo divulgado como uma prévia a uma nova exposição chamada “Edgar Degas: A Strange New Beauty”, que será aberta no Museum of Modern Art de Nova York, que destacando as obras do artista.

As fotos são lindas e perfeitas, apesar de terem um significado muito mais profundo: os rostos do ballet estão mudando.

O foco de Degas nas bailarinas o ajudou a criar algumas das imagens mais populares da arte do século XIX. Ken Browar e Deborah Ory, fotógrafos do projeto e fundadores do NYC Dance Project queriam trazer as icônicas imagens para o século XXI.

“O objetivo não era tanto reproduzir as imagens de Degas, mas sim trazer Misty para elas atualizando a comunidade do ballet”, disse Ken à Upworthy.

“Estamos vendo todos os tipos de corpo, todos os tipos de pessoas: negros, brancos, asiáticos, chame como você preferir. Estamos vendo de tudo. É o tempo sendo refletido”.

Fotografar Misty como se ela estivesse num dos quadros de Degas mostra ao mundo que o ballet não possui uma raça ou etnia específica.

Nem é preciso que eu te diga que a indústria tem sido esmagadoramente branca durante a história.

Apenas imagine uma bailarina tradicional na sua cabeça e você comprovará isto. Embora os tempos tenham mudado, ainda é difícil encontrar imagens de bailarinos que representem a diversidade de formas, tamanhos, idades e experiências de vida que realmente existem.

Eis um dos motivos pelos quais Ken e Deborah começaram o NYC Dance Project: para mostrar e celebrar os bailarinos de hoje.

“Há alguns anos, nossa filha mais nova queria ter seu quarto decorado com quadros de seus dançarinos favoritos e nós tivemos dificuldade em encontrar fotos deles”, recorda Deborah pelo telefone. “Não havia essa quantidade de estrelas por aí. Ken chegou a sugerir que nós mesmos as fotografássemos”.

Com isso nasceu o NYC Dance Project. Um estudo da dança e do movimento através da fotografia, seu trabalho ganhou um bom número de admiradores em poucos anos, com um livro que se espera seja lançado neste outono.

Uma das chaves de seu sucesso talvez seja onde eles fotografaram a maioria dos retratos: na sua sala de estar no Brooklyn. Isso criou uma atmosfera mais íntima e confortável, embora Deborah admita que foi preciso remover seu gato de várias das fotos.

Juntos, eles fazem parte de um movimento para incentivar a diversidade na dança, pois um número mais amplo de pessoas mostra às meninas e meninos que eles têm sim um lugar na indústria – combatendo a ideia de que você não pode ser o que você não pode ver – isso é economicamente inteligente também.

Companhias de dança mais diversificadas criam maiores e mais diversos públicos. E você sabe o que isso significa? Dinheiro.

Assim como Ken e Deborah, Copeland sabe que o mundo do ballet ainda tem um longo caminho a percorrer, mas este é um bom começo.

Ela está quebrando o teto de vidro, sapatilhas de ponta e tudo mais, mas ela sabe isso não é apenas sobre ela.

Há tanto talento e potencial ainda não explorados por aí. Algum dia vamos chegar a um lugar onde todas as raças e etnias verão oportunidades para ter sucesso no mundo do ballet, bem como em outras profissões tão estereotipadas.

Nesse meio-tempo, é encorajador ver aqueles que estão trilhando caminhos para o futuro nos palcos, atrás das câmeras, com pincéis ou com suas palavras.

Dê uma olhada nos bastidores de como eles canalizaram o trabalho de Edgar Degas para a Harper’s Bazaar. Eles acertaram em cheio.

Fantástico, não é?

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Esse texto foi traduzido e adaptado por nosso parceiro tradutor de Direito, Arte e Ballet: Tomás Bedrikow.

Link para matéria original, AQUI.

All images by Ken Browar and Deborah Ory from the NYC Dance Project, used with permission.

Todas as imagens são feitas por Ken Browar e Deborah Ory do NYC Dance Project, com todos os direitos reservados.

 

 

 

 

 

 

 

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